segunda-feira, 2 de abril de 2012

Itamambuca - O Morumbi do Surf Brasileiro

Sundek Classic 1988 - Itamambuca

Itamambuca é uma palavra do Tupi-guarani e significa Pedra Porosa, ou também, Pedra Rachada. Ita=pedra  –  Mambuca=porosa.
Itamambuca foi surfada pela primeira vez em meados dos anos 70. Naquela época os surfistas paulistas e cariocas procuravam novos points para a prática do surf e o Litoral Norte de São Paulo era o alvo.
Eles vinham em brasílias ou fuscas lotados de pranchas no rack e acampavam na praia mesmo.
Posso imaginar a felicidade de quem descobriu o surf em Itamambuca pela primeira vez, o mágico canto direito, onde desemboca o rio Itamambuca, formando um belo canal para o outside, facilitando o acesso às ondas que quebram longe da areia da praia.
Aliás, Itamambuca é uma das praias mais constantes do mundo, isso mesmo, do mundo! Quase todos os dias têm onda, isso porque o posicionamento geográfico da praia favorece o recebimento de 3 quadrantes de ondulações Sul/Sudeste/Leste.
Além disso, Itamambuca é considerada o Morumbi do Surf Brasileiro, assim como Itaúna em Saquarema é considerado o Maracanã.
Em meados dos anos 70, Itamambuca sediou um dos primeiros campeonatos de surf no Brasil, o tradicional Festival de Surf, que na época foi divulgado através de cartolinas que foram espalhadas nas cidades de Santos e Guarujá.
Devido ao sucesso do evento, todo ano rolava uma etapa em Ubatuba. No início dos anos 80, Augusto, Nené, Fernando Liberal, irmãos Acqua, Jean Claudi, Jacob, Rafael e Pierre, fundaram a Associação Ubatuba de Surf (AUS), que passou a organizar os eventos de surf na cidade.
Em 1988 eles foram os responsáveis pela organização do Sundek Classic, que foi um dos eventos mais famosos do surf mundial e trouxe milhares de pessoas para a areia de Itamambuca, onde puderam presenciar grandes ídolos do esporte ao vivo. Itamambuca não decepcionou e altas ondas bombaram durante o evento que foi vencido pelo Bi-campeão mundial Damien Hardman.
Até hoje Itamambuca é sede dos maiores eventos do surf mundial e mesmo com as construções que foram feitas na orla, altas ondas continuam rolando, perfeitas , como braços cósmicos esperando um guerreiro armado com sua prancha, para decifrá-la ao longo da bancada, onde ela escorre com seu poder encantador. 

quinta-feira, 15 de março de 2012

Brazilian Storm

Gabriel Adisaka, Filipe Toledo e Everton Silva
Vermelha do Centro - Foto: Alexandre Janotti

Poucos sabem, mas o Brasil vive atualmente sua melhor fase no surf mundial. Dos 32 melhores surfistas do mundo, que fazem parte do WT (World Tour), 7 são do Brasil: Adriano de Souza, Gabriel Medina, Raoni Monteiro, Heitor Alves, Alejo Muniz, Miguel Pupo e Jadson André.
Além dos homens, na elite do surf feminino temos 2 representantes: Silvana Lima e Jaqueline Silva.  Silvana Lima já foi vice-campeã mundial em 2009.
Assim como os australianos na década de 70 e 80, agora os brasileiros chegaram arrombando a porta no circuito mundial. Tudo começou com Gabriel Medina na etapa Prime do WQS (circuito de acesso ao WT) em Imbituba. Com aéreos completados em ondas de 2 metros, Medina deixou o mundo de boca aberta ao vencer o campeonato que teve 196 competidores.
Na sequência o big rider de Saquarema Marcos Monteiro venceu no Chile o campeonato mundial de ondas grandes, e depois foi a vez do garoto prodígio de Ubatuba brilhar.
Filipe Toledo, 16 anos, é filho do bi-campeão brasileiro Ricardo Toledo. Mostrando que o surf corre em suas veias, Filipe vem se destacando nas categorias de base com diversos títulos. Com esses títulos ele conquistou a vaga para disputar o mundial Pró Júnior em Huntington Beach, Califórnia.
Para vocês terem uma noção, esse é um mega evento onde acontecem simultaneamente o Pró Júnior, o WQS 6 estrelas, a etapa do mundial de skate e dezenas de shows ao vivo para milhares de pessoas que comparecem em 7 dias de evento! Pois bem, o nosso garoto prodígio foi lá e quietinho mostrou pros gringos do que é feito um campeão, vencendo uma final contra os queridinhos norte-americanos Kolohe Andino e John John  Florence, sendo nomeado pela mídia internacional: “Brazillian Storm”.
Acompanhem o video-clip produzido pela Nike: http://www.youtube.com/watch?v=ff0TTuvNO6E
Isso tudo aconteceu até Agosto de 2011, depois ainda vieram os títulos de Ricardo dos Santos na triagem de Teahuppo, Medina vencendo em o 6 estrelas em Lacanau na França, Mineiro vencendo a etapa do WT no Brasil e em Portugal em cima de Slater, Danilo Couto vencendo o prêmio “Ride of the year” no XXL, Miguel Pupo vencendo duas etapas Prime do WQS, enfim, o Brasil dominou a mídia do surf mundial durante o ano de 2011.  
Em 2012 a Tempestade Brasileira continua com gás total. Gustavo Araújo, também de Ubatuba, venceu uma Etapa do Circuito Latino na Argentina, Miguel Pupo venceu o Hang Loose Pro em Fernando de Noronha com 144 atletas de todo o mundo, Filipe Toledo foi 3º no Pró Júnior na Austrália, perdendo na semi-final em uma bateria duvidosa, Caio Ibeli, do Guarujá sagrou-se  Campeão Mundial Pró Júnior 2011 após vencer o australiano Garret Parkes e Adriano de Souza, o Mineiro, foi vice-campeão da primeira etapa do WT 2012 em Snapper Rocks, perdendo em uma final super disputada contra o local Taj Burrow.
Se preparem, 2012 está só começando e a Tempestade Brasileira continua embalada. Filipe Toledo já embarcou para a Austrália e você pode acompanhar todas as notícias e os campeonatos ao vivo no Portal Surfcam: http://www.portalsurfcam.com.br/

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Swell a palavra mágica para o Surfista

Foto: Alexandre Janotti

Swell é uma palavra em inglês que significa ondulação. No dialeto do mundo do surf muitas palavras permanecem em inglês devido ao esporte ter sido difundido no mundo pelo havaiano Duke Kahanamoku, que obviamente falava inglês.
Quando vai entrar onda, significa que tem swell chegando e é isso que alimenta a alma do surfista, as ondas. São milhares de surfistas buscando a “onda perfeita” mundo afora e esse estilo de vida tornou-se um mercado bilionário.
Hoje em dia com o avanço tecnológico a vida do surfista ficou mais fácil. Existem milhares de sites que fornecem a previsão das ondas em todo o mundo. Sendo assim, você escolhe o lugar desejado, checa as previsões e viaja só quando o swell for favorável.
O lado ruim disso é que todos sabem onde e quando vai rolar onda e isso acabou com o lado misterioso que o surf tinha antes das previsões pela internet. Há poucos anos atrás, pra saber se tem ondas, só checando na praia ou contar com seus instintos naturais pra saber se tem ou vai ter onda. Muitos fizeram fama de “guru do surf” antes das previsões. Esses “gurus” eram grandes observadores da Mãe Natureza e através da leitura dos ventos, luas e marés eles sabiam quando o swell chegaria.
Para se fazer uma viagem de surf nessa época você tinha que contar com a sorte. Esse mistério alimentou muitos surfistas e hoje em dia muitos deles não se sentem mais motivados a viajar a alguns lugares devido ao crowd.
Crowd é outra palavra em inglês utilizada no mundo do surf, que significa muitas pessoas. Quando você escutar que está “crowd no pico”, significa que tem muita gente na água disputando as ondas. A previsão de ondas é sinônima de crowd, devido à hoje em dia todos terem acesso à internet e é isso que afastou os surfistas mais conservadores de alguns line ups.
Se a previsão de ondas pela internet afastou alguns da água, por outro lado trouxe muitos outros e isso é bom para o fortalecimento do esporte como um todo. Esse crescimento de praticantes faz com que os surfistas conservadores busquem novas opções, os chamados “secrets spots” e uma coisa é certa, continua a eterna busca atrás da onda perfeita!
Sites de Previsão de ondas:

www.portalsurfcam.com.br – Ubatuba/Guarujá/São Sebastião
www.surfbahia.com.br  - Região Nordeste
www.ricosurf.globo.com – Rio de Janeiro